Liga aguarda denúncias formais sobre a arbitragem
A arbitragem continua no centro do debate em torno do Moçambola 2026, numa altura em que decisões tomadas durante os jogos têm provocado contestação por parte de adeptos e agentes do futebol nacional.
Apesar das críticas públicas, a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) afirma que não recebeu, até ao momento, queixas formais ou denúncias relacionadas com os casos de arbitragem contestados ao longo da competição.
A informação foi publicada pelo Jornal Desafio, numa reportagem de 27 de Outubro, que também apresenta a posição da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF).
Segundo a mesma publicação, a CNAF declarou não ter identificado, até então, árbitros envolvidos em infracções relacionadas com actos de corrupção.
Estas declarações reflectem a posição dos organismos responsáveis, mas não significam, por si só, que todas as suspeitas tenham sido investigadas ou definitivamente esclarecidas.
Incidentes em Nacala e Pemba aumentaram a tensão
A discussão sobre a arbitragem surge num campeonato marcado também por episódios de violência e tumultos em Nacala e Pemba, que envolveram adeptos e geraram preocupação em torno das condições de segurança nos recintos desportivos.
De acordo com o Jornal Desafio, os casos foram apreciados pelos órgãos disciplinares da Liga, com decisões já tomadas sobre os incidentes registados.
Paralelamente, as declarações de treinadores sobre a actuação dos árbitros continuam a merecer atenção. O Conselho de Disciplina da LMF ouviu Artur Semedo, antigo treinador do Baía de Pemba, na sequência de pronunciamentos relacionados com a arbitragem, estando ainda prevista uma posição do órgão sobre o caso, segundo a reportagem.
A existência de críticas públicas, contudo, não constitui, por si só, prova de corrupção ou de favorecimento deliberado de qualquer equipa.
Deslocações e experiência dos árbitros levantam preocupações
Outro aspecto destacado na reportagem diz respeito às dificuldades logísticas para assegurar a presença de árbitros experientes nos jogos disputados em diferentes regiões do país.
Francisco Machel, presidente da CNAF, explicou que a Liga disponibiliza actualmente cinco passagens aéreas por jornada para as equipas de arbitragem, enquanto o número considerado ideal seria de 12.
Esta limitação dificulta a deslocação de mais árbitros experientes para as zonas Centro e Norte, levando ao recurso a profissionais regionais ou locais.
A CNAF reconhece que a utilização de árbitros com menor experiência em partidas de elevada pressão pode afectar o desempenho e tornar mais difícil o controlo do trabalho desenvolvido ao longo da competição.
O responsável também referiu que o aumento do número de árbitros abrangidos pelo grupo de trabalho, de 60 inicialmente considerados ideais para cerca de 100, trouxe desafios adicionais de acompanhamento e controlo.
Transparência e provas são fundamentais
A posição divulgada pela LMF e pela CNAF coloca novamente em discussão os mecanismos de reclamação, fiscalização e responsabilização no futebol moçambicano.
Para que eventuais irregularidades possam ser devidamente avaliadas, as denúncias precisam de ser encaminhadas aos órgãos competentes e acompanhadas de elementos que permitam analisar os factos.
Ao mesmo tempo, as preocupações relativas à logística, à experiência dos árbitros e à segurança nos estádios continuam a exigir atenção dos responsáveis pela organização da competição.
O debate sobre a arbitragem no Moçambola 2026 permanece, assim, aberto, sendo importante distinguir as críticas desportivas, as suspeitas ainda não comprovadas e as infracções que venham efectivamente a ser demonstradas.
Fonte: Jornal Desafio
